sábado, abril 19, 2008

Motel de família

Começou com as TVs nos restaurantes, para dar oportunidade a alguns de ver um programinha furreca no meio da tarde; remete ao lar, disseram.
Não satisfeitos (nunca ficam), foi lançado o primeiro motel com propósitos não-sexuais. A proposta era simples: criar um ambiente que reproduzisse as condições de almoço que o cliente teria no aconchego do próprio lar. A tabela de preços oferecia as opções suíte, quarto de solteiro, quarto de solteiro adolescente e quitinete; os dois últimos, naturalmente, usam o banheiro do corredor, que sempre há alguém batendo à porta perguntando se demora muito, com um funcionário para esta função nos horários de baixo movimento.
Mudou-se de decorador umas 4 vezes, até encontrar um que entendesse que espelho no teto e banheira nunca entrariam ali. As decorações temáticas são variadíssimas, há as opções Futebol, Hello Kitty, Basquete, Corrida, Móveis doados, Decorado pela sogra, Barbie, Projetado, Bichos de Pelúcia e Rock paulera, sendo este último o mais difícil de ser alugado, porque nunca estão de acordo com as escolhas dos pôsters.
É importante ressaltar que o propósito social do estabelecimento não é alugar um quarto, e sim reproduzir uma sensação de aconchego. Para isso, contrataram a D. Marly, cozinheira que se aposentou depois de fazer quentinhas por 30 anos. Dizem na boca pequena que o que garantiu a sua contratação foi ter assumido que contava na mão quantas vezes preparou carne de primeira.
Naturalmente que, por fidelidade à proposta, sobremesa só é fornecida se comer tudo do prato.
Para não faltar nada, a casa oferece pares de meia a R$ 1,00, e talvez este seja o ponto mais crítico de todo o trabalho. Não é fácil deixar o elástico do punho frouxo na medida certa, para que não aperte a canela e ao mesmo tempo não se perca sob o lençol.

Um comentário:

Criptor disse...
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