Cedo ou tarde, eu sempre termino falando sobre solidão aqui; tomando, de um jeito ou de outro, as palavras de outrem, ou até ficcionando eu mesma. Por mais que eu pense que solidão, hoje em dia, é algo cada vez mais inerente, cruel e absurdo, dado o tamanho da nossa população e as inúmeras e crescentes formas de comunicação, vira e mexe eu vejo coisas que lançam novas luzes sobre esse tema velho, mas nunca desatual ou esgotado. Esta semana revi Clube da Luta (1999), um filme que adoro, na sua forma, no seu conteúdo, no seu elenco (e quem mais me chama atenção são o Edward Norton, ator que, se não me falhe a memória, gostei da sua atuação desde a primeira vez que o vi, e Meat Loaf, ah, que adoro! E sim, Brad Pitt caiu na medida!)
É interessante ver como o Rupert (ou Cornelius, ou qualquer outro nome) lida com a solidão que é imposta a ele, vendo seus "amigos de porção única". Definitivamente, é para ser assistido várias vezes, até gravarmos mesmo que não somos aquilo que possuímos, e que não devemos permitir que essas coisas nos possuam.
É um filme que faz despertar algo de revolucionário em nós e que acho uma pena como eventualmente, os 500 canais de TV, os sofás de listras verdes, as camisas CK, os sapatos DK e as pulserinhas da Nike vão sufocar isso. Mas ainda que não consigamos desbaratar esta sociedade louca que nos prende, será que não podemos ser, ao menos, mais próximos, mais humanos, mais unidos?
Tenho uma amiga que diz que Deus fez com que o ser humano não conseguisse coçar as costas para que entendamos o valor da cooperação. E aí a China produz mãozinhas com cabos extensores e pontinhas afiadas feito unhas.
Não que seja culpa mesmo da China ou de qualquer outra república democrática que mata seus estudantes o fato de nos isolarmos. Fato é que eu sei lá o que acontece, cada vez sei menos.
Dá para dizer que os culpados são os iPods com seus fonezinhos confortáveis para cada um ouvir a sua música? Talvez desse para fazer esta declaração, caso não houvesse tantos carros com sons altíssimos, capazes de impor o gosto musical do proprietário até o sexto andar de um prédio qualquer. Esse lance de espaço alheio é uma furada!
Fato é que dividir só é legal quando impomos aquilo que nós gostamos. Do mesmo jeito que a China se intitula uma república democrática.
Mostrando postagens com marcador solidão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador solidão. Mostrar todas as postagens
terça-feira, fevereiro 02, 2010
domingo, maio 04, 2008
6,6 bilhões
A Terra nunca esteve tão tumultuada, tem gente saindo pelo ladrão. Nunca tivemos tantos engarrafamentos, filas, congestionamentos de sistema, lotações esgotadas, pitacos e ar condicionado sem vasão. E passamos por tudo isso à toa, nunca estivemos tão sozinhos. Criticar individualismo eu acho apontar para a conseqüência; acho mesmo que a realidade, a ordem social, o mercado de trabalho, o rítmo da vida cotidiana e a Coca Cola (de alguma forma ela é culpada, sempre é, eu sei) é que nos impõem todo esse isolacionismo. Nunca somos bons o suficiente, sempre nos falta alguma nova gadget, o da TV é sempre melhor, estamos sempre a um passo da obsolência. E desse correr-atrás lifestyle vem o nosso isolacionismo; o que já foi conquistado não conta, não importa o valor inexpressível e inarticulável que as coisas possuam.
Em geral, sou um tanto resistente a esses papos piorou-era-melhor, mas fica difícil ignorar a quantidade de carros que transportam apenas o próprio motorista e a enxurrada de comida em porção individual que é fabricada, vendida e comprada, mesmo com o preço sendo de porção inteira; há também os aparatos da solidão, como iPods, mesinhas feitas para comer frente à TV e aquelas poltronas de fazer o Darth Vader babar.
"Ah, é so o mercado se adequando à demanda do consumidor", "isso não pode servir como evidência para nada". Será? Talvez. Mas quantas fotos você vê no orkut tiradas diante do espelho?
Em geral, sou um tanto resistente a esses papos piorou-era-melhor, mas fica difícil ignorar a quantidade de carros que transportam apenas o próprio motorista e a enxurrada de comida em porção individual que é fabricada, vendida e comprada, mesmo com o preço sendo de porção inteira; há também os aparatos da solidão, como iPods, mesinhas feitas para comer frente à TV e aquelas poltronas de fazer o Darth Vader babar.
"Ah, é so o mercado se adequando à demanda do consumidor", "isso não pode servir como evidência para nada". Será? Talvez. Mas quantas fotos você vê no orkut tiradas diante do espelho?
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Solidão
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...Isto é carência. Solidão não é o sentimento que a gente experimenta pela ausência das pessoas que a gente ama e que não podem mais voltar... Isto é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário a que, muitas vezes, sem saber, a gente acaba se impondo só para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Não é aquela pausa obrigatória que o destino manda compulsoriamente, para que reveja a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é apenas uma circunstância.
Solidão é muito mais que isto... Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos. E procuramos, em vão, pela nossa alma!
Autoria de Fátima Brito
Solidão não é o retiro voluntário a que, muitas vezes, sem saber, a gente acaba se impondo só para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Não é aquela pausa obrigatória que o destino manda compulsoriamente, para que reveja a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é apenas uma circunstância.
Solidão é muito mais que isto... Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos. E procuramos, em vão, pela nossa alma!
Autoria de Fátima Brito
segunda-feira, novembro 27, 2006
A Solidão Das Mulheres Divorciadas
Aos fins-de-semana, quando não saio com a minha prima Bé, fico em casa a ver televisão. Ver televisão quer dizer regar as plantas da marquise, ler o meu horóscopo nas revistas, desfazer o tricot do domingo anterior, mudar de canal de vinte em vinte segundos a pensar em matar-me. O problema é que assim que me levanto para tomar os lexotans todos de uma vez a minha mãe telefona-me de Alcobaça a saber como estou, oiço-lhe os gritos no atendedor de chamadas (a minha mãe, que tem um medo danado dos telefones, sempre falou aos gritos) e como não é possível a gente suicidar-se e conversar com a mãe ao mesmo tempo desisto das pastilhas e garanto-lhe que estou óptima, que não tenho febre, que fumo no máximo três cigarros por dia, que como bem, que não emagreci (continua)
António Lobo Antunes, págs. 33 a 35 (1º edição)
António Lobo Antunes, págs. 33 a 35 (1º edição)
quarta-feira, agosto 09, 2006
Sobre lucidez e mulheres
Não é engraçado como todos os tipos de solidão nos são estranhas? Como sempre nos parecem desmotivadas? Como se por acaso nunca a tivéssemos conhecido antes.
Solidão é algo em preto e branco, por isso que sempre parece poético; é algo estático, por isso que sempre sai tão bem em fotos.
E deixa eu dizer que é, acima de tudo, algo das mulheres, das mulheres e dos sábios, estudiosos.
Mas os estudiosos são estudiosos porque querem, um dia a idade lhes chega junto com os netos e eles começam a passar mais tempo em meio aos jardins, com bolas coloridas que sobem fazendo parábolas lânguidas e poéticas do nos claustros criativos. Mulheres, não; nasceram assim e sempre foram conscientes, de uma forma ou de outra, de sua inexorável natureza.
Carregam a semente da solidão dentro de si, que nunca encontra terreno árido para brotar.
Como disse Álvaro Pacheco, a solidão é lúcida, assim como a morte e a eternidade.
Solidão é algo em preto e branco, por isso que sempre parece poético; é algo estático, por isso que sempre sai tão bem em fotos.
E deixa eu dizer que é, acima de tudo, algo das mulheres, das mulheres e dos sábios, estudiosos.
Mas os estudiosos são estudiosos porque querem, um dia a idade lhes chega junto com os netos e eles começam a passar mais tempo em meio aos jardins, com bolas coloridas que sobem fazendo parábolas lânguidas e poéticas do nos claustros criativos. Mulheres, não; nasceram assim e sempre foram conscientes, de uma forma ou de outra, de sua inexorável natureza.
Carregam a semente da solidão dentro de si, que nunca encontra terreno árido para brotar.
Como disse Álvaro Pacheco, a solidão é lúcida, assim como a morte e a eternidade.
Assinar:
Postagens (Atom)