terça-feira, fevereiro 02, 2010

Eterno tema

Cedo ou tarde, eu sempre termino falando sobre solidão aqui; tomando, de um jeito ou de outro, as palavras de outrem, ou até ficcionando eu mesma. Por mais que eu pense que solidão, hoje em dia, é algo cada vez mais inerente, cruel e absurdo, dado o tamanho da nossa população e as inúmeras e crescentes formas de comunicação, vira e mexe eu vejo coisas que lançam novas luzes sobre esse tema velho, mas nunca desatual ou esgotado. Esta semana revi Clube da Luta (1999), um filme que adoro, na sua forma, no seu conteúdo, no seu elenco (e quem mais me chama atenção são o Edward Norton, ator que, se não me falhe a memória, gostei da sua atuação desde a primeira vez que o vi, e Meat Loaf, ah, que adoro! E sim, Brad Pitt caiu na medida!)
É interessante ver como o Rupert (ou Cornelius, ou qualquer outro nome) lida com a solidão que é imposta a ele, vendo seus "amigos de porção única". Definitivamente, é para ser assistido várias vezes, até gravarmos mesmo que não somos aquilo que possuímos, e que não devemos permitir que essas coisas nos possuam.
É um filme que faz despertar algo de revolucionário em nós e que acho uma pena como eventualmente, os 500 canais de TV, os sofás de listras verdes, as camisas CK, os sapatos DK e as pulserinhas da Nike vão sufocar isso. Mas ainda que não consigamos desbaratar esta sociedade louca que nos prende, será que não podemos ser, ao menos, mais próximos, mais humanos, mais unidos?
Tenho uma amiga que diz que Deus fez com que o ser humano não conseguisse coçar as costas para que entendamos o valor da cooperação. E aí a China produz mãozinhas com cabos extensores e pontinhas afiadas feito unhas.
Não que seja culpa mesmo da China ou de qualquer outra república democrática que mata seus estudantes o fato de nos isolarmos. Fato é que eu sei lá o que acontece, cada vez sei menos.
Dá para dizer que os culpados são os iPods com seus fonezinhos confortáveis para cada um ouvir a sua música? Talvez desse para fazer esta declaração, caso não houvesse tantos carros com sons altíssimos, capazes de impor o gosto musical do proprietário até o sexto andar de um prédio qualquer. Esse lance de espaço alheio é uma furada!
Fato é que dividir só é legal quando impomos aquilo que nós gostamos. Do mesmo jeito que a China se intitula uma república democrática.

Um comentário:

Michele Mitsue disse...

Talvez nao tenha dado o devido valor ao Clube da Luta.

Vou seguir seu conselho e assistir novamente.

=) beijo flor!