"agora é só aguardar".
Enquanto frases como "você acha que não sei o que estou fazendo" ou "vem que dá" prenunciam uma tragédia, a frase em questão é arauto de coisa nenhuma. Ela sempre indica a visão de pessoas tristes, de roupas amassadas de tanto ficar na mesma posição, por vezes até cercadas de revistas que desde novas já não falavam de nada muito interessante.
Eu acho engraçado como as pessoas usam o termo "só", como se todo o esforço já tivesse acabado, quando, na verdade, a parte crítica mesmo é a espera. Ninguém vira para um alpinista que já tem todo o equipamento e mantimentos e fala "agora é só subir o Everest".
E se você ouviu esta frase, pode ter certeza de que a espera é longa, caso contrário você teria um "pode sentar ali que já chamo a senhora".
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sábado, julho 25, 2009
sábado, maio 23, 2009
Problemas urbanos 13:
"galinhas-do-interior".
Este apelido mui carinhoso cunhado pela minha mãe desde à minha infância era sempre lançado sobre uma pessoa que estivesse a pé passando por nós enquanto estávamos de carro; mas ao contrário do que parece, não se refere a pedestres.
Pedestres são aqueles indivíduos que efetuam seu deslocamento urbano sem veículo de tração motora ou animal, andam nas calçadas e passarelas suspensas e subterrâneas, atravessam os sinais de trânsito na faixa; vez ou outra, inclusive, se tornam vítimas de políticas urbanas mal paridas que, ao realizarem uma obra em logradouro público, ocupam as calçadas de entulhos, caçambas e material de construção, o que força-os a andarem nas ruas, expostos a acidentes de trânsito. Também sofrem com motoristas que tomam as calçadas como estacionamento e o excesso de camelôs nos grande centros metropolitanos.
As galinhas-do-interior, por sua vez, se fossem coisa boa, seriam pedestres; mas não, ignoram a existência de sinais, o que, conseqüentemente, faz com atravessem a rua nos piores trechos. Ao invés de fazerem uso da calçada, gostam de andar na rua, de preferência no meio dela; também gostam de esperar para atravessarem no asfalto, de preferência no meio da curva. Porém, seu comportamento mais recorrente mesmo é cruzar correndo a via bem na hora que o carro se aproxima. Em geral, são os que mais acusam motoristas de imprudentes. Infelizmente, estão em maior número do que os pedestres.
Este apelido mui carinhoso cunhado pela minha mãe desde à minha infância era sempre lançado sobre uma pessoa que estivesse a pé passando por nós enquanto estávamos de carro; mas ao contrário do que parece, não se refere a pedestres.
Pedestres são aqueles indivíduos que efetuam seu deslocamento urbano sem veículo de tração motora ou animal, andam nas calçadas e passarelas suspensas e subterrâneas, atravessam os sinais de trânsito na faixa; vez ou outra, inclusive, se tornam vítimas de políticas urbanas mal paridas que, ao realizarem uma obra em logradouro público, ocupam as calçadas de entulhos, caçambas e material de construção, o que força-os a andarem nas ruas, expostos a acidentes de trânsito. Também sofrem com motoristas que tomam as calçadas como estacionamento e o excesso de camelôs nos grande centros metropolitanos.
As galinhas-do-interior, por sua vez, se fossem coisa boa, seriam pedestres; mas não, ignoram a existência de sinais, o que, conseqüentemente, faz com atravessem a rua nos piores trechos. Ao invés de fazerem uso da calçada, gostam de andar na rua, de preferência no meio dela; também gostam de esperar para atravessarem no asfalto, de preferência no meio da curva. Porém, seu comportamento mais recorrente mesmo é cruzar correndo a via bem na hora que o carro se aproxima. Em geral, são os que mais acusam motoristas de imprudentes. Infelizmente, estão em maior número do que os pedestres.
sexta-feira, abril 10, 2009
Problemas urbanos 12:
cheirosinhos.
São daquele tipo que fazem com a gente se sinta um X-Men com super-olfato, conseguimos saber que estão chegando a distâncias consideráveis. Em alguns casos, isso se deve à total falta de higiene, um sabonetinho, mesmo que fosse daqueles com perfume ruim, já resolveria o problema. Mas não, preferem cultivar fungos nas dobras do corpo. Engraçado que, em geral, pessoas com esse hábito, não são isolasionistas e anti-sociais; pelo contrário, adoram conversar, em geral, de perto. Sendo o olfato um sentido debilitado, também são costumam ser desprovidas de algum senso crítico ou qualquer noção, não entende porque sua entrada em uma rodinha de conversa acaba com a mesma.
Por outro lado, não são apenas odores desagradáveis que entram nesta categoria. Há o outro extremo, pessoas limpinhas, assiadas, mas que não entendem que perfumes não são como tintas, não são aplicados às pinceladas. Sendo assim, deixam seu rastro por onde quer que passem, e são ótimos na localização de pessoas com rinite alérgica. Essa classe ganha ares catastróficos quando volta a moda de fragrâncias com notas de melancia. Blergh.
Numa terceira categoria, encontramos pessoas que acreditam que pelo simples fato da Gleid ter criado uma fragrância e ter colocado num pedaço de cartolina, este cheiro é unanimanente bom e merece estar em cada peça de vestimenta, acessório ou qualquer coisa que gravite sua gaveta de roupas, criando assim um escudo invisível, capaz de espantar até pernilongos. Apesar da vantagem da prevenção contra a dengue, nunca saberemos se essas pessoas, quando desnudas, se encaixam na primeira ou na segunda categoria, pelo cheiro, não dá para saber.
São daquele tipo que fazem com a gente se sinta um X-Men com super-olfato, conseguimos saber que estão chegando a distâncias consideráveis. Em alguns casos, isso se deve à total falta de higiene, um sabonetinho, mesmo que fosse daqueles com perfume ruim, já resolveria o problema. Mas não, preferem cultivar fungos nas dobras do corpo. Engraçado que, em geral, pessoas com esse hábito, não são isolasionistas e anti-sociais; pelo contrário, adoram conversar, em geral, de perto. Sendo o olfato um sentido debilitado, também são costumam ser desprovidas de algum senso crítico ou qualquer noção, não entende porque sua entrada em uma rodinha de conversa acaba com a mesma.
Por outro lado, não são apenas odores desagradáveis que entram nesta categoria. Há o outro extremo, pessoas limpinhas, assiadas, mas que não entendem que perfumes não são como tintas, não são aplicados às pinceladas. Sendo assim, deixam seu rastro por onde quer que passem, e são ótimos na localização de pessoas com rinite alérgica. Essa classe ganha ares catastróficos quando volta a moda de fragrâncias com notas de melancia. Blergh.
Numa terceira categoria, encontramos pessoas que acreditam que pelo simples fato da Gleid ter criado uma fragrância e ter colocado num pedaço de cartolina, este cheiro é unanimanente bom e merece estar em cada peça de vestimenta, acessório ou qualquer coisa que gravite sua gaveta de roupas, criando assim um escudo invisível, capaz de espantar até pernilongos. Apesar da vantagem da prevenção contra a dengue, nunca saberemos se essas pessoas, quando desnudas, se encaixam na primeira ou na segunda categoria, pelo cheiro, não dá para saber.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Problemas urbanos 11:
auto-narradores.
Mais comum do que se imagina, esta espécie está por todos os lados. Não são simplesmente aqueles que querem buscar papo com qualquer um na rua, mesmo os surdos e os mudos. São pessoas que assumem um comportamento expansivo e ruidoso: narrar a própria vida, não importa o que estejam fazendo. Geralmente sozinhos, o que explicita não haver um interlocutor com quem travar um diálogo, dão larga preferência ao verbo "deixar", em construções do tipo "ai, deixa eu tomar um cafezinho", "deixa eu ver quem me ligou, deve ser meu filho", e entre um apelo de permissão e outro, inserem comentários. Redundante dizer que os comentários são desnecessários, posto que toda a narração é feita em cima de um cotidiano banal.
Aparentemente, trata-se de um comportamento inocente, inócuo. De fato, não tive conhecimentos de guerras travadas por alguém receber relatos constantemente atualizados sem prévio consentimento. Mas é chato, desagradável, quando você está numa sala de espera, por exemplo, cuidando da própria vida, lendo um livro ou ouvindo um sonzinho, e há um auto-narrador em plena atividade.
E o problema se agrava quando, dado que alguém está falando com você, é permitido que esta pessoa invada seu espaço pessoal (ver nota). Sendo assim, cabe a você defendê-lo. Para isso, há duas formas: a primeira é física, o que te caracteriza como um ogro não apto para a vida em sociedade; a segunda é verbal, e aí, se você teve que abrir a boca e articular sons reconhecidos por alguma língua, pronto, você travou diálogo com um auto-narrador, e deu brecha para ele desfiar suas reclamações ou desculpas, ou seja, mais assunto.
Mais comum do que se imagina, esta espécie está por todos os lados. Não são simplesmente aqueles que querem buscar papo com qualquer um na rua, mesmo os surdos e os mudos. São pessoas que assumem um comportamento expansivo e ruidoso: narrar a própria vida, não importa o que estejam fazendo. Geralmente sozinhos, o que explicita não haver um interlocutor com quem travar um diálogo, dão larga preferência ao verbo "deixar", em construções do tipo "ai, deixa eu tomar um cafezinho", "deixa eu ver quem me ligou, deve ser meu filho", e entre um apelo de permissão e outro, inserem comentários. Redundante dizer que os comentários são desnecessários, posto que toda a narração é feita em cima de um cotidiano banal.
Aparentemente, trata-se de um comportamento inocente, inócuo. De fato, não tive conhecimentos de guerras travadas por alguém receber relatos constantemente atualizados sem prévio consentimento. Mas é chato, desagradável, quando você está numa sala de espera, por exemplo, cuidando da própria vida, lendo um livro ou ouvindo um sonzinho, e há um auto-narrador em plena atividade.
E o problema se agrava quando, dado que alguém está falando com você, é permitido que esta pessoa invada seu espaço pessoal (ver nota). Sendo assim, cabe a você defendê-lo. Para isso, há duas formas: a primeira é física, o que te caracteriza como um ogro não apto para a vida em sociedade; a segunda é verbal, e aí, se você teve que abrir a boca e articular sons reconhecidos por alguma língua, pronto, você travou diálogo com um auto-narrador, e deu brecha para ele desfiar suas reclamações ou desculpas, ou seja, mais assunto.
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Problemas urbanos 10:
maconheiros.
Não vou entrar, com este assunto, em discussões sobre tráfico de drogas, crime organizado ou dependência química, tampouco meu objeto de crítica aqui seja, precisamente, a pessoa que faz uso da substância; minha crítica vai às pessoas que fazem disso a sua bandeira. Querem usar dreads no cabelo, as cores da bandeira da Jamaica no seu visual, se dizem rastafari quando moram na Zona Sul. Tudo bem, eu já vi muitos que combinam a camisa do Che Guevara com Allstar, que se dizem vermelhos mas "quem é empresário é o meu pai, não eu; ele que botou ar condicionado no meu quarto".
O ponto que me desgasta mesmo é que maconheiros acham que a nação inteira tem que virar uma comunidade hippie e tenta te convencer que "uma planta natural não pode te fazer mal", como se a natureza não conseguisse sintetizar venenos ou alucinógenos. Ninguém se pergunta onde a cascavél compra a peçonha que ela injeta nas pessoas quando pica?
E, como se isso fosse pouco, toda a graça da vida, para esta classe, só há onde há a erva, coisa que eles precisam frisar bem:
— Bom é fazer isso depois de fumar um...
— Bom é fumar um e fazer isso...
— Bom de ir pra lá é que dá pra fumar um.
— Ah, lá é legal? Então dá pra fumar um?
— Ah, foi muito bom, eu tava chapado.
— Não dá pra fumar? Então não tem porque ir.
Não vou entrar, com este assunto, em discussões sobre tráfico de drogas, crime organizado ou dependência química, tampouco meu objeto de crítica aqui seja, precisamente, a pessoa que faz uso da substância; minha crítica vai às pessoas que fazem disso a sua bandeira. Querem usar dreads no cabelo, as cores da bandeira da Jamaica no seu visual, se dizem rastafari quando moram na Zona Sul. Tudo bem, eu já vi muitos que combinam a camisa do Che Guevara com Allstar, que se dizem vermelhos mas "quem é empresário é o meu pai, não eu; ele que botou ar condicionado no meu quarto".
O ponto que me desgasta mesmo é que maconheiros acham que a nação inteira tem que virar uma comunidade hippie e tenta te convencer que "uma planta natural não pode te fazer mal", como se a natureza não conseguisse sintetizar venenos ou alucinógenos. Ninguém se pergunta onde a cascavél compra a peçonha que ela injeta nas pessoas quando pica?
E, como se isso fosse pouco, toda a graça da vida, para esta classe, só há onde há a erva, coisa que eles precisam frisar bem:
— Bom é fazer isso depois de fumar um...
— Bom é fumar um e fazer isso...
— Bom de ir pra lá é que dá pra fumar um.
— Ah, lá é legal? Então dá pra fumar um?
— Ah, foi muito bom, eu tava chapado.
— Não dá pra fumar? Então não tem porque ir.
sexta-feira, julho 11, 2008
Problemas urbanos ?
Flamenguistas.
Agora a filha e neta de rubro-negros aqui se complicou. Não, não tenho nada contra o time em si, nem estou afirmando nada, só levantando uma questão (notaram o ponto de interrogação no título?). Mas eu ando reparando que seus torcedores assumem posturas odiosas, como se as cores do clube dessem licença para abusos.
Aliás, outro dia fui ao mercado com ele. Enquanto ele pegava frutas, fui comprar carne. Chegando lá, havia três caboclos. Um deles comentou em voz alta:
— Não, essa aí tem cara de flamenguista. Alta, morena, bonita, magra. Só pode ser flamenguista.
Então eu, que tenho essa condição de ser eu, com um pedaço de alcatra na mão, respondi:
— Engraçado, eu ia dizer o mesmo de você, por ser feio, atarracado, abusado e burro.
Mas quem nunca viu dentro do bar, passando aquela partida do Malutron contra Pato Branco, quando qualquer um ali faz um gol e a torcida comemora, levanta logo um para gritar "Meeeeengoooo!!!" Parece que esqueceram de avisar ao tapado que seu time não está no jogo e que nenhum dos jogadores marcou ponto.
Mas o pior mesmo foi como no caso do jogo do Fluminense contra o LDU. As pessoas comemoraram a derrota do tricolor, esquecendo que o título foi para... (De onde é o LDU, mesmo? Isso que dá eu me meter a falar de futebol). Enfim, ainda fizeram bandeiras com os escudos do time que foi campeão da Libertadores (pasmem, eu sei qual título estava em jogo!!) e do time da Gávea, como se tivesse sido um trabalho em conjunto.
Bom, mas até aí, tudo bem. É o mundo do futebol, eu não me meto, não diz respeito a mim mesmo.
O problema, como eu falei acima, é usar as cores como licença para fazer besteira. E tenho reparado tanto nisso se repetindo que, no final de semana, ao ser fechada por um carro, falei tranqüila:
— Isso, flamenguista, pode passar.
Os quem estavam dentro do carro riram, mas riram mais ao notar o adesivo escrito RAÇA colado na traseira, confirmando o tiro cego que foi meu comentário.
O engraçado é que dificilmente algo vai acontecer para derrubar essa minha impressão, já que, por probabilidade, as chances de alguém que faz besteira se enquadrar nesta categoria são altas, mais de 50% da torcida se diz urubu.
Agora a filha e neta de rubro-negros aqui se complicou. Não, não tenho nada contra o time em si, nem estou afirmando nada, só levantando uma questão (notaram o ponto de interrogação no título?). Mas eu ando reparando que seus torcedores assumem posturas odiosas, como se as cores do clube dessem licença para abusos.
Aliás, outro dia fui ao mercado com ele. Enquanto ele pegava frutas, fui comprar carne. Chegando lá, havia três caboclos. Um deles comentou em voz alta:
— Não, essa aí tem cara de flamenguista. Alta, morena, bonita, magra. Só pode ser flamenguista.
Então eu, que tenho essa condição de ser eu, com um pedaço de alcatra na mão, respondi:
— Engraçado, eu ia dizer o mesmo de você, por ser feio, atarracado, abusado e burro.
Mas quem nunca viu dentro do bar, passando aquela partida do Malutron contra Pato Branco, quando qualquer um ali faz um gol e a torcida comemora, levanta logo um para gritar "Meeeeengoooo!!!" Parece que esqueceram de avisar ao tapado que seu time não está no jogo e que nenhum dos jogadores marcou ponto.
Mas o pior mesmo foi como no caso do jogo do Fluminense contra o LDU. As pessoas comemoraram a derrota do tricolor, esquecendo que o título foi para... (De onde é o LDU, mesmo? Isso que dá eu me meter a falar de futebol). Enfim, ainda fizeram bandeiras com os escudos do time que foi campeão da Libertadores (pasmem, eu sei qual título estava em jogo!!) e do time da Gávea, como se tivesse sido um trabalho em conjunto.
Bom, mas até aí, tudo bem. É o mundo do futebol, eu não me meto, não diz respeito a mim mesmo.
O problema, como eu falei acima, é usar as cores como licença para fazer besteira. E tenho reparado tanto nisso se repetindo que, no final de semana, ao ser fechada por um carro, falei tranqüila:
— Isso, flamenguista, pode passar.
Os quem estavam dentro do carro riram, mas riram mais ao notar o adesivo escrito RAÇA colado na traseira, confirmando o tiro cego que foi meu comentário.
O engraçado é que dificilmente algo vai acontecer para derrubar essa minha impressão, já que, por probabilidade, as chances de alguém que faz besteira se enquadrar nesta categoria são altas, mais de 50% da torcida se diz urubu.
segunda-feira, junho 16, 2008
Problemas urbanos 9:
crianças pentelhas.
Quem não conhece nenhuma é porque nunca sai de casa e mora em um lugar isolado, sem alma alguma por perto. Se não houvesse limite de idade em casas noturnas, elas com certeza estariam lá, derrubando bebidas e chorando mais alto do que a seleção do DJ. Isso porque uma criança pentelha sempre porta a tiracolo um adulto banana, a quem geralmente chama de pai ou mãe. Esta figura, que equivocamente é também designado por "responsável", é quem dirige o carro e paga a entrada para ter certeza de que o programa que tinha tudo para ser legal vai ganhar traços de briga de feira; isso porque ele acha o capetinha que ele mesmo produziu uma graça, inofensivo, então o resto do mundo vai ter que achar o mesmo, não importa quão difícil seja de convencer a todos.
Mas essas pequenas pragas não se limitam a concertos, shows, cinemas, restaurantes; eles não ignoram trajetos de ônibus, banheiros de shopping e até mesmo salões de embarque de aeroporto ( e aí é pior, porque a criança vai te acompanhar numa a viagem inteira dentro de ambiente sem janelas, uniformes descabidos, inglês ruim com sotaque paulista e barrinhas de cereal servidas com suco de laranja artificial).
E, já que foi educado em sua infância e sabe que não tem que tolerar quando um desses quer vir sapatear no seu pé ou gritar no seu ouvido, se decidir reclamar com o pentelhinho, ainda é passível de escutar um "com o meu filho reclamo eu!" ou "mas é só uma criança". E esses são os dois argumentos mais furados que há nesta situação. Se você reclamasse com o seu filho, dona, ninguém mais teria que fazer; e quanto a ser só uma criança, nunca assistiu A profecia?
Quem não conhece nenhuma é porque nunca sai de casa e mora em um lugar isolado, sem alma alguma por perto. Se não houvesse limite de idade em casas noturnas, elas com certeza estariam lá, derrubando bebidas e chorando mais alto do que a seleção do DJ. Isso porque uma criança pentelha sempre porta a tiracolo um adulto banana, a quem geralmente chama de pai ou mãe. Esta figura, que equivocamente é também designado por "responsável", é quem dirige o carro e paga a entrada para ter certeza de que o programa que tinha tudo para ser legal vai ganhar traços de briga de feira; isso porque ele acha o capetinha que ele mesmo produziu uma graça, inofensivo, então o resto do mundo vai ter que achar o mesmo, não importa quão difícil seja de convencer a todos.
Mas essas pequenas pragas não se limitam a concertos, shows, cinemas, restaurantes; eles não ignoram trajetos de ônibus, banheiros de shopping e até mesmo salões de embarque de aeroporto ( e aí é pior, porque a criança vai te acompanhar numa a viagem inteira dentro de ambiente sem janelas, uniformes descabidos, inglês ruim com sotaque paulista e barrinhas de cereal servidas com suco de laranja artificial).
E, já que foi educado em sua infância e sabe que não tem que tolerar quando um desses quer vir sapatear no seu pé ou gritar no seu ouvido, se decidir reclamar com o pentelhinho, ainda é passível de escutar um "com o meu filho reclamo eu!" ou "mas é só uma criança". E esses são os dois argumentos mais furados que há nesta situação. Se você reclamasse com o seu filho, dona, ninguém mais teria que fazer; e quanto a ser só uma criança, nunca assistiu A profecia?
quarta-feira, maio 14, 2008
Problemas urbanos 8:
portas giratórias.
Como se o perigo de qualquer um prender o dedo ou ter qualquer outro tipo de acidente fosse pouco, portas giratórias exigem que você exponha todos os seus pertences, não apenas os metálicos, para poder entrar a troco de nada, sim, porque além de deixar objetos importantes na caixinha perto da entrada, como chaves, carteira e celular, você ainda tem que provar ao segurança que você não tem nada metálico abrindo a sua bolsa ou levantando a sua camisa, para só assim o inútil lá de dentro destravar a porta.
Isso, aliás, é algo que não entendo: por que gasta-se uma pequena fortuna com uma máquina para fazer o serviço se você vai ter que pagar um caboclo para ficar ali vigiando o aparato?
Engraçado que esse tipo de porta só é colocada na entrada dos (malditos) bancos, e isso não tem nada a ver com o fato de lá ter dinheiro (a gente sabe mesmo que tem mais papel do que o resto). Há outros lugares que guardam ainda mais dinheiro ou coisas ainda mais preciosas e não lançam mão disso para a sua segurança. E não só porque muitas vezes precisam receber bem a clientela, mas também porque sabem que é um elefante branco como comissão de frente, que, além de estar fora de controle, não pode ajudar em nada com a sua força ou tamanho.
Como se o perigo de qualquer um prender o dedo ou ter qualquer outro tipo de acidente fosse pouco, portas giratórias exigem que você exponha todos os seus pertences, não apenas os metálicos, para poder entrar a troco de nada, sim, porque além de deixar objetos importantes na caixinha perto da entrada, como chaves, carteira e celular, você ainda tem que provar ao segurança que você não tem nada metálico abrindo a sua bolsa ou levantando a sua camisa, para só assim o inútil lá de dentro destravar a porta.
Isso, aliás, é algo que não entendo: por que gasta-se uma pequena fortuna com uma máquina para fazer o serviço se você vai ter que pagar um caboclo para ficar ali vigiando o aparato?
Engraçado que esse tipo de porta só é colocada na entrada dos (malditos) bancos, e isso não tem nada a ver com o fato de lá ter dinheiro (a gente sabe mesmo que tem mais papel do que o resto). Há outros lugares que guardam ainda mais dinheiro ou coisas ainda mais preciosas e não lançam mão disso para a sua segurança. E não só porque muitas vezes precisam receber bem a clientela, mas também porque sabem que é um elefante branco como comissão de frente, que, além de estar fora de controle, não pode ajudar em nada com a sua força ou tamanho.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Problemas urbanos 7:
lojistas.
Não, eu não odeio pessoas que trabalham em loja, não tenho pinimbas com profissionais deste setor ( a não ser quando vêm com aquele papo de que isso veste superbem e que mas isso tá na moda).
O que me incomoda mesmo é entrar numa loja, perguntar quanto alguma coisa custa, ouvir que o valor tem 3 dígitos antes da vírgula, reclamar e ainda ter que aguentar desdém de funcionária, como se eu fosse uma pé-rapada. Até parece que se eu não fosse pé rapada, o preço seria mais aceitável. Mas eu tenho que aguentar desdém de lojista é assalariado, que só dá duro e vive de comissão? Se tá vestindo roupa daquela grife é porque a loja forneceu para uniforme, tem desconto gordo ou teve informações privilegiadas na liquidação.
Não, eu não odeio pessoas que trabalham em loja, não tenho pinimbas com profissionais deste setor ( a não ser quando vêm com aquele papo de que isso veste superbem e que mas isso tá na moda).
O que me incomoda mesmo é entrar numa loja, perguntar quanto alguma coisa custa, ouvir que o valor tem 3 dígitos antes da vírgula, reclamar e ainda ter que aguentar desdém de funcionária, como se eu fosse uma pé-rapada. Até parece que se eu não fosse pé rapada, o preço seria mais aceitável. Mas eu tenho que aguentar desdém de lojista é assalariado, que só dá duro e vive de comissão? Se tá vestindo roupa daquela grife é porque a loja forneceu para uniforme, tem desconto gordo ou teve informações privilegiadas na liquidação.
sábado, fevereiro 09, 2008
Problemas urbanos 6:
idiotas-são-os-outros.
Provavelmente, ao ler o título, você acha que todos, inclusive você, estão inclusos nesta categoria de criatura. Mas não necessariamente. Trata-se de uma figura muito fácil de ser encontrada na metrópole. Ao invés de dizer que qualquer situação é favorável ao seu aparecimento, podemos afirmar que conseguem encontrar motivo em qualquer situação para se exibirem, já que também se encaixam na regra primeira de outro problema urbano. São aqueles que furam fila, avançam sinal sem pestanejar, abrem terceiras faixas no trânsito, trafegam pelo acostamento, fazem questão de estarem sempre alguns bons km/h a mais que permitido; afinal, ficar parado é coisa para idiota. Não à toa, é muito fácil identificá-los em engarrafamentos (inclusive EPNs) e qualquer lugar em que haja concentração de gente com uma leve necessidade de organização. Mas a filosofia por trás de um comportamento ISOO não se encerra aí. Na verdade, baseiam-se na crença de que aqueles que vivem à sua volta tem a mera função de serví-los, seja abdicando um direito que têm em favor do problema urbano, seja sendo ridicularizado ao reclamar um direito. Pensando na (falta de) educação que as pessoas recebem hoje desde a infância, no jeitinho brasileiro e em outros aspectos formidáveis da nossa cultura, não me admira encontrar um em cada esquina.
Provavelmente, ao ler o título, você acha que todos, inclusive você, estão inclusos nesta categoria de criatura. Mas não necessariamente. Trata-se de uma figura muito fácil de ser encontrada na metrópole. Ao invés de dizer que qualquer situação é favorável ao seu aparecimento, podemos afirmar que conseguem encontrar motivo em qualquer situação para se exibirem, já que também se encaixam na regra primeira de outro problema urbano. São aqueles que furam fila, avançam sinal sem pestanejar, abrem terceiras faixas no trânsito, trafegam pelo acostamento, fazem questão de estarem sempre alguns bons km/h a mais que permitido; afinal, ficar parado é coisa para idiota. Não à toa, é muito fácil identificá-los em engarrafamentos (inclusive EPNs) e qualquer lugar em que haja concentração de gente com uma leve necessidade de organização. Mas a filosofia por trás de um comportamento ISOO não se encerra aí. Na verdade, baseiam-se na crença de que aqueles que vivem à sua volta tem a mera função de serví-los, seja abdicando um direito que têm em favor do problema urbano, seja sendo ridicularizado ao reclamar um direito. Pensando na (falta de) educação que as pessoas recebem hoje desde a infância, no jeitinho brasileiro e em outros aspectos formidáveis da nossa cultura, não me admira encontrar um em cada esquina.
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Problemas urbanos 5:
EPN
Trata-se da sigla para "engarrafamento de porra nenhuma". Este termo técnico é praticamente auto-explicativo. Formam-se sem hora marcada, sem lugar pra isso, do nada, e depois que você cruzou-o por completo e perdeu todo o tempo que tinha, descobre que não havia motivo para tanto.
Trata-se da sigla para "engarrafamento de porra nenhuma". Este termo técnico é praticamente auto-explicativo. Formam-se sem hora marcada, sem lugar pra isso, do nada, e depois que você cruzou-o por completo e perdeu todo o tempo que tinha, descobre que não havia motivo para tanto.
segunda-feira, outubro 01, 2007
Problemas urbanos 4:
corpos magnéticos.
Não, os ímãs são inocentes. Trata-se de pessoas que são atraídas por seus semelhantes. Bom, a rigor, todos, que (sobre)vivemos em sociedade, encaixamos-nos nesta regra; mas eu me refiro aos níveis extremos, aquelas pessoas que não entendem o conceito de espaço pessoal1.
É muito fácil reconhecê-los: são aqueles que entram em um ônibus onde há um passageiro e conseguem sentar-se precisamente ao lado dele. São essas mesmas pessoas que colam atrás de você em uma fila, como se isso fizesse andar mais rápido, ou que gostam de conversar com você deixando um espaço de 2 polegadas entre narizes; e ainda sentem mais prazer nesta prática depois de uma xícara de café ou uma torrada de alho. Mas, ao contrário do que parece, isto não é o pior. A situação se agrava mesmo quando o corpo-magnético é baixinho, aí gostam de se pendurar no seu braço ou puxar você para a altura deles, tudo para que o raio da distância seja mantida.
1. Espaço pessoal: é o círculo de 1 metro de diâmetro (esta dimensão varia)* no qual você é o centro. Invasão deste limite só deve ser feita por pessoas íntimas a você ou um profissional de saúde em momento de trabalho. Caso isso ocorra devido à lotação de transportes coletivos, há de se entender, mas só até certo ponto!
*Corrigido depois que o Xistosa me chamou a atenção. E antes que pergunte, amigo, eu sei que 45cm de raio não é igual a 1m de diâmetro.
Não, os ímãs são inocentes. Trata-se de pessoas que são atraídas por seus semelhantes. Bom, a rigor, todos, que (sobre)vivemos em sociedade, encaixamos-nos nesta regra; mas eu me refiro aos níveis extremos, aquelas pessoas que não entendem o conceito de espaço pessoal1.
É muito fácil reconhecê-los: são aqueles que entram em um ônibus onde há um passageiro e conseguem sentar-se precisamente ao lado dele. São essas mesmas pessoas que colam atrás de você em uma fila, como se isso fizesse andar mais rápido, ou que gostam de conversar com você deixando um espaço de 2 polegadas entre narizes; e ainda sentem mais prazer nesta prática depois de uma xícara de café ou uma torrada de alho. Mas, ao contrário do que parece, isto não é o pior. A situação se agrava mesmo quando o corpo-magnético é baixinho, aí gostam de se pendurar no seu braço ou puxar você para a altura deles, tudo para que o raio da distância seja mantida.
1. Espaço pessoal: é o círculo de 1 metro de diâmetro (esta dimensão varia)* no qual você é o centro. Invasão deste limite só deve ser feita por pessoas íntimas a você ou um profissional de saúde em momento de trabalho. Caso isso ocorra devido à lotação de transportes coletivos, há de se entender, mas só até certo ponto!
*Corrigido depois que o Xistosa me chamou a atenção. E antes que pergunte, amigo, eu sei que 45cm de raio não é igual a 1m de diâmetro.
domingo, agosto 26, 2007
Problemas urbanos 3:
babacas.
Por incrível que pareça, o grande problema do babaca não é o fato dele ser babaca, ou da intensidade com a qual ele é babaca, e sim que ele gosta de ser babaca no centro, não sabe ser babaca no canto, desconhece a arte da discrição, não interessa ser low profile. Afinal, não basta ser babaca, é necessário deixar que todos, não apenas saibam, tenham certeza absoluta disso. Essa regra, aliás, impera naqueles sujeitos que possuem os piores gostos musicais. Já notaram como esses são aqueles que têm a aparelhagem de som mais potente?
Mas há aqueles que são ases: não só eles vêm falar com você sobre algo que você não quer ouvir, que não te interessa, mas o fazem de boca cheia, repleta. O que nos leva à regra de ouro: se você consegue juntar muitas informações, tais como ingredientes, técnica de preparo e estado do alimento, sobre a comida de quem vos fala, trata-se de um babaca dos grandes.
Por incrível que pareça, o grande problema do babaca não é o fato dele ser babaca, ou da intensidade com a qual ele é babaca, e sim que ele gosta de ser babaca no centro, não sabe ser babaca no canto, desconhece a arte da discrição, não interessa ser low profile. Afinal, não basta ser babaca, é necessário deixar que todos, não apenas saibam, tenham certeza absoluta disso. Essa regra, aliás, impera naqueles sujeitos que possuem os piores gostos musicais. Já notaram como esses são aqueles que têm a aparelhagem de som mais potente?
Mas há aqueles que são ases: não só eles vêm falar com você sobre algo que você não quer ouvir, que não te interessa, mas o fazem de boca cheia, repleta. O que nos leva à regra de ouro: se você consegue juntar muitas informações, tais como ingredientes, técnica de preparo e estado do alimento, sobre a comida de quem vos fala, trata-se de um babaca dos grandes.
segunda-feira, junho 04, 2007
Problemas urbanos 2:
delinqüentes da terceira idade.
Gente mal-educada é sempre ruim, ponto sem polêmica, ok. Mas o que me adoece, corrói mesmo, são aqueles que engrossam a fila preferencial do Banco do Brasil e não pagam passagem de ônibus e ainda se acham no direito de mandar uma grosseria que geralmente começa por minha filha. E o mais engraçado é que quando você mostra que sabe engrossar também, ficam revoltados e falam que quem não tem educação em você. (Aliás, mania de brasileiro de perder a noção e quando você impõe os limites, a grossa é você.)
Passando por uma fila no sábado, pedindo passagem, houve uma que inventou de me cutucar as costas. Ah, é pra sair na mão? Aí eu, que fui cutucada, ainda fico como a pit-girl.
Espero que as gerações futuras nunca escutem asneiras como respeitem os mais velhos. Espero que a lição seja a se respeitar as pessoas, por serem simplesmente, pessoas.
Gente mal-educada é sempre ruim, ponto sem polêmica, ok. Mas o que me adoece, corrói mesmo, são aqueles que engrossam a fila preferencial do Banco do Brasil e não pagam passagem de ônibus e ainda se acham no direito de mandar uma grosseria que geralmente começa por minha filha. E o mais engraçado é que quando você mostra que sabe engrossar também, ficam revoltados e falam que quem não tem educação em você. (Aliás, mania de brasileiro de perder a noção e quando você impõe os limites, a grossa é você.)
Passando por uma fila no sábado, pedindo passagem, houve uma que inventou de me cutucar as costas. Ah, é pra sair na mão? Aí eu, que fui cutucada, ainda fico como a pit-girl.
Espero que as gerações futuras nunca escutem asneiras como respeitem os mais velhos. Espero que a lição seja a se respeitar as pessoas, por serem simplesmente, pessoas.
terça-feira, maio 29, 2007
Problemas urbanos 1:
luzes com sensor de movimento nos banheiros.
Há uma certa sesação de conforto, não há?, quando entramos em algum banheiro que não o nosso e a luz se acende automaticamente. Bom, muito bom! Faz com que pensemos na questão dos recursos naturais da Terra que não nos cabe terminar de esgotar, chuchu!!!
Naturalmente o problema não é este; é, sim, o caboclo que programa o sensor de movimento, porque ele sempre esquece que não vamos ao banheiro para correr de um lado para o outro nem fazer ginástica rítimica com o papel higiênico. Então você está lá, se concentrando no que quer que tenha ido fazer, e se sente um enfeite de árvore de natal com um luz piscando na sua cabeça.
Há uma certa sesação de conforto, não há?, quando entramos em algum banheiro que não o nosso e a luz se acende automaticamente. Bom, muito bom! Faz com que pensemos na questão dos recursos naturais da Terra que não nos cabe terminar de esgotar, chuchu!!!
Naturalmente o problema não é este; é, sim, o caboclo que programa o sensor de movimento, porque ele sempre esquece que não vamos ao banheiro para correr de um lado para o outro nem fazer ginástica rítimica com o papel higiênico. Então você está lá, se concentrando no que quer que tenha ido fazer, e se sente um enfeite de árvore de natal com um luz piscando na sua cabeça.
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