sexta-feira, janeiro 09, 2009

Natal vítima da moda.

Muitas coisas boas podem acontecer para me darem um bom natal, como ajudar o meu pai com sua árvore de natal para trocarmos nossas alfinetadas que nos são prova de amor, receber coisas que estava precisando há algum tempo, ganhar presentes adoráveis, estar com pessoas queridas, comer rabanada e castanha portuguesa, tomar parte de reuniões felizes e ouvir histórias engraçadas de natais antigos. Mas eu só tomo por encerrada a época do velho batuta no início de janeiro, e isso nada tem a ver com o dia de reis, trata-se de outro evento sem muito dia para acontecer: liquidação de final de ano da Zara.
A simples visão daquela vitrine com imensos cartazes de Sale na entrada me traz sorriso ao rosto; passar aquelas portas então me faz ouvir a "Dança das Barras de Açúcar" do Quebra Nozes, e isso faz com que eu me sinta em algum filme família de final de ano. Mas ao contário do que parece, eu não me sinto perdida lá dentro, sei muito bem a ordem ideal das coisas, primeiros os sapatos que ficam logo na entrada, e depois as mesas com pilhas de blusas. É mágico, há anos é assim; mas algo aconteceu esse ano que deixou faltar a cereja do meu sundae. Meu primeiro ponto de parada não tinha nada legal nem nada do meu tamanho, geralmente pelo menos uma dessas duas coisas tem. Seguindo, as pilhas de camisas parecem que tinham sido todas roubadas da década de 80, com aquelas cores chamativas e estampas bastardas cobertas de tachinhas. Vestidos? Vi um realmente interessante, mas tava caro demais para uma liquidação e era parecido com um que eu já tenho.
Eu poderia dar uma de criança decepcionada e nunca mais voltar lá, guardar minha mágoa para sempre e todos os futuros natais pensar nesta mácula que ficou. Mas acho mesmo que não é por aí, isso é só um sintoma. Vejo cada vez mais coisas horrorosas nas vitrines, sou capaz de entrar e sair de uma loja sem gostar de uma peça sequer. Sim, minha chatice contribui, mas não cria toda essa ojeriza. Eu, por exemplo, nunca entendi quando cor passou a ser combinada com preto, a mãe do Alex de Large virou inspiração para as estamparias e ficou legal combinar salto com short. Até mesmo fizeram aquelas calças saint-tropeito e vestidos balonês, só para sacanear a mulherada que fica se esmerilhando na academia.
Aí eu penso que prefiro estar fora de moda, mesmo, mas me olhar no espelho e sentir que daqui a alguns anos não vou querer rasgar minhas fotos por causa das minhas roupas. E penso que o termo "vítima da moda" não podia ser mais preciso.

Um comentário:

Thiago disse...

Mas vc. sabe que a Zara só me decepciona? Tá cada vez pior. O que é barato não presta, encolhe, não cabe, é colorido demais. O que é caro, é caro demais. Sinceramente? Prefiro fuçar outras lojas em busca de liquidação. Aliás, alimento da alma, você sabia que a Zara é a C&A dos EUA? Pois é, e a gente, brasileiro burro,ficamos todos impressionados com essa bosta. Eu proponho um boicote!! hahahah.