quinta-feira, março 25, 2010

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Foi no ano passado que comprei minha bicicleta, logo depois do meu aniversário, ou, também pode-se dizer, pouco antes de quebrar o pé. E ao contrário do que boa parte das pessoas pensou, não, ela não teve nada a ver com isso. Aliás, ela nunca teve a menor relação com qualquer acidente meu. Minto. Ás vezes eu sou desastrada o suficiente para deixar o pedal bater na minha canela. E aí dá mais de uma semana para as cicatrizes desviarem a atenção da minha tatuagem do tornozelo. Mas acontece. Cada vez mais eu me convenço de que vale a pena. Existe todo aquele papo de sustentabilidade, não estar consumindo combustível fóssil, a manutenção ser mais barata e eu me livro, ah, que delírio!, de toda aquela chateação que alterna entre taxas de estacionamento caríssimas e flanelinhas. Sempre há um lugarzinho para encostar sua bicicleta. E há piadinhas graciosas que podem ser feitas. Como por exemplo entrar no posto para calibrar, o frentista vir te receber e você responde com um curto "Aditivada, por favor". Pronto, ele vai rir até você chegar a bomba de ar, no mínimo.
Ou então entrar no estacionamento em busca do bicicletário, olhar bem para o caixa, virar a sola do tênis e dizer "O número é 39".
Sábado, por exemplo, eu acordei cedo e fui, pela primeira vez, para a academia. É um percurso que me faz dirigir por meia hora. Em duas rodas, fiz em 40 minutos. E a coisa engraçada é que no nosso habitual lanche pós-treino, cheguei junto com quem havia saído de carro muito antes de mim. Os passageiros de ônibus e os ocupantes de automóveis chegaram bem depois. Mas realmente, quem anda de bicicleta não quer necessariamente chegar mais rápido, só quer se estressar menos e aproveitar o momento. Tanto que várias vezes não importa o caminho mais curto. Tenho ignorado atalhos.Lá pelo dia 06/03, o Allan disse que odeia bicicletas, acha errado ver marmanjo pedalando e que isso deveria parar aos 12 anos.Ri bem com as coisas que ele escreveu, mas discordo de quase tudo.Mas defendo até a morte que não dá para fazer isso de sunga.
Óbvio que há desvantagens. Chuva realmente complica tudo, não só enquanto cai, mas enquanto não seca, criando poças na rua que levantam em direção à sua camisa branca quando a roda passa. Mas aí eu me pergunto se o problema mora tanto assim no clima e nem um pouco na nossa urbanização fictícia.
Mas o que vicia mesmo, MESMO, MESMO é  ser imune a engarrafamentos ou caminhões abusados que atravessam no meio da rua e não deixam o trânsito fluir. Ontem saí do trabalho às 18hs, olhei o céu já crepusculado e pensei que era hora de ir para casa; aquelas fileiras de carros sem fim não me pesou nem um pouco. E eles ficam lá, esperando o momento em que passarão, e eu, mesmo sem esperar, passarinho.

Um comentário:

ideiasabertas disse...

.. Eles sempre passarão e nós, passarinho... falou tudo (sensação de bem estar diante de trânsito pesado, algu malivio mental sobre poluição e exercício físico, economia) e vou te falar.. 39 reais = uma capa de chuva de motoqueiro (dessas de boy mesmo, só que bem vagabunda) e dois paralamas nas rodas... e andar de bicicleta na chuva vira outro momento gostoso.