domingo, novembro 30, 2008

O retiro do capitão

Peter James Pei, sino-britânico, passou sua vida sobre as águas do mundo, carregando mercadorias chinesas para os quatro cantos do planeta. Começou aos 14 anos limpando o convés de um navio mercante, o Wei Zhang, assim batizado em homenagem a uma notável dançarina, com uma tripulação de mais de 150 homens. Foi ascendendo em sua profissão, trabalhando em outras embarcações até se tornar o capitão mais apto para as grandes distâncias. Por ser o chinês a sua primeira língua, não aprendeu suficientemente bem nenhuma outra, embora crêsse que dominasse tantas 8. Mas sabia dizer "prostituta sifilenta" em incontáveis idiomas.
Depois que se aposentou dos mares, veio morar no Brasil porque acreditava, até esse ano, que o tempo é sempre bom, e trouxe toda a família para cá. Por determinação própria, nunca se afasta mais de 30km de casa e só anda de bicicleta. Também se instalou longe da costa, já que não queria mais a maresia enferrujando seus eletrônicos ou deixando suas roupas com aquele mesmo cheiro que o acompanhou durante a carreira.
Jaime, como seus vizinhos de Nova Iguaçu o apelidaram, comprou um negócio ao lado de casa que batizou como a mesma dançarina de pernas ágeis, para desgosto de sua mulher; lá ele vende pastel de queijo acuado e outras especialidades. Mas não pensem que a vida no mar lhe seja uma mágoa. Pelo contrário!, ele é grato por tudo que viveu e aprendeu. Tantas línguas que (acha que) falou, tantos rostos que conheceu, tantas belezas que viu e, sobretudo, a estreita relação que firmou com o tempo e suas mudanças. Por isso, com a ajuda da neta fã do RBD, ele montou um blog em que conta suas infinitas histórias de marujo e dá a previsão do tempo para todo o estado, e sempre que pode tira sarro dos meteorologistas.

Um comentário:

xistosa - (josé torres) disse...

Já tinha saudades.
De por vezes não perceber ... mas nunca dar parte de fraco!!!
De ler e reler até ler e saber o que li e reli.
Aprendi que há pastel de queijo acuado, mas bom mesmo foi isto:

"Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Epidemia

Meu avô, que descanse em paz, viveu até os 94 anos de idade, sendo que fumou até os 84, aqueles cigarros de palha sem filtro; parou porque achou que tava começando a fazer mal. Faleceu porque a gente tem vida útil mesmo, não fomos feitos para viver para sempre por mais que se goste de crer nisso. Pois bem, estive com ele poucas vezes na vida, lembro dele fritando batata na banha do porco todos os dias e nos dando para comer; e sempre ao acordar bebendo uma dose de cachaça em jejum, das margosa. O que aprendi com meu avô? Que cirrose, colesterol e efisema é tudo doença de quem lê, de quem checa sempre a tabela nutricional dos alimentos e quer comprar aquela que tem poliinsaturados."

É que tive um avô muito parecido.

Não morri.
Ressuscitei depois de me "limparem", as veias ou artérias ou vasos sanguíneos.
Não sei, nem quero saber.
Fiz um cateterismo e em Janeiro vou à faca!

Agora será um "luxo".
Pomposamente um "bypass".

Penso que depois disto tudo fico imortal.

Mas ainda não tenho a certeza.
Certeza mesmo é que soube que tenho um coração e umas "coisas" para levar e trazer o sangue.
Nem sei se foi atrapalhando o tráfego, se foi mesmo acidente, mas tive que parar.
Até fui a Manchester, (Inglaterra), via Frankfurt, pela Lufthansa, visitar o meu filho.
Foi ida e volta igual.
Fiz exames médicos e parece-me que mesmo não sabendo, eu, inglês, eles sabem verificar um português e a sentença é igual á daqui do meu Porto.

Espero que tudo corra pelo melhor.

Se ficar como me dizem, vou ao Brasil, não a nadar, mas de avião.
É que tive lições e comecei a aprender a voar ...
Já sei esbracejar ...

Um abração e até já!!!