terça-feira, abril 21, 2009

Do Casa para o mundo.

É, eu tenho um lado amish um tanto quanto forte, de fato. Eu não tenho TV e, não só vivo bem assim, como também prego que as pessoas deveriam se livrar delas, senão integralmente como eu, pelo menos algumas boas horas do dia. Até porque desde quando eu lá sou bom exemplo para as pessoas?
Mas isso não tem nada a ver com tecnologia. Tecnologia é legal, graças a ela eu tenho chance de falar besteira sem o menor tipo de censura há mais de 3 anos. Bom, algum tipo de censura eu passei a provar depois que o Chato-pai começou a visitar o Casa, mas isso não tem nada a ver com falta de liberdade de expressão e sim com o pouco juízo que mora em mim.
Aliás, falar besteira é tão viciante que eu conto com os avanços tecnológicos para um dia dar o próximo passo nesta minha necessidade: ter meu próprio programa ao vivo. Teria tudo, sabe? Eu ia falar de moda, acompanhada de uma drag queen fanha e de uma costureira do interior de Minas Gerais, e sentaríamos o pau nos vestidos do tapete vermelho. E quando chegasse aquela época do ano de entra-safra da mídia, em que não há nenhum importante evento para criticar, nós exibiríamos o pré-Oscar da década de 80.
Em outro momento, o tema seria culinária, eu mostraria receitas de homens solteiros e a infinidade de molhos para macarrão instantâneo que pode ser preparada com itens básicos da despensa, como gelatina de fruta e picles. Naturalmente que alguns ajustes poderiam ser feitos neste momento caso houvesse um forte patrocínio.
Para ninguém dizer que eu só sei falar sobre amenidades e papo de casa, eu receberia os empresários que não tiveram a chance de aparecer no extinto Gente que faz para falar de suas experiências felizes na micro-empresa, leria notícias e faria comentários políticos, ora de esquerda, ora de direita.
E falaria sempre da minha confortável poltrona em estilo vintage, vestida com saias curtas para deixar a expectativa nas pessoas se eu fosse pagar calcinha ou não. Mas, lógico, que a idéia é frustrar o público. Essa é a fórmula certa para que ele sempre volte.
E pronto, seria simples, barato e autêntico. E eu poderia até colocar isso no slogan. Não ia gastar dinheiro com assistente, dançarinas ou chamadinhas caras em horário nobre. Afinal, quem precisa de audiência? Quase 4 anos já me ensinaram que eu sei viver bem sem isso.

Um comentário:

Márcio Silva disse...

Se eu soubesse desse seu lado amish, já teria lhe presenteado com um batedor de manteiga 100% em madeira de lei. Quanto ao programa, eu assistiria desde que os telespectadores pudessem concorrer a prêmios batutas para homens solteiros, como um vale-ovo colorido em qualquer boteco patrocinador do Casa 101 Show.