sábado, 9 de julho de 2011

Destino?

Estudei cinco anos em um colégio católico. Saí de lá repetindo a mim mesma que essa coisa de Deus era uma alucinação coletiva, criada para arrancar dinheiro das pessoas e para mantê-las andando minimamente na linha.
Ainda que hoje eu já tenha minhas dúvidas em relação à parte da alucinação coletiva, sobre o resto eu já ando bem certa, sim, senhor, infelizmente. Mas enfim, fato é que eu nunca me assustei demais com todo aquele papo de danação, enxofre e tridentes. Em parte, porque eu sou uma fiel seguidora do principal mandamento. Mas também porque se o paraíso era o lugar que as freiras do meu colégio iriam, por favor, eu quero ir para o outro lado, e, de preferência, que a gente nem pegue o mesmo elevador. Mas, à vera mesmo, eu sempre pensei no inferno como um lugar legal, cuja decoração era aquilo que eu sempre busquei na minha adolescência de roqueira-malvadinha; sobretudo, era o lugar onde as coisas que importavam realmente aconteciam. Penso no inferno como um lugar em que o Churchill reclama do ar condicionado, o Sinatra se faz em casa — não muito diferente do que fez por aqui — fazendo logo amizade com o capeta, a Marilyn ri daquele jeito sonso e encatador para os capirotos-auxiliares só para fazer que eles lhe tragam algum balde de gelo ou  abanem-na, e há uma roda onde todos riem alto ao ouvirem aquelas histórias que o público precisa morrer para conhecer, relatadas em primeira pessoa pelo ACM, Onassis, Kennedy, Napoleão e outros tantos. Fora a gig de outro mundo que rola com o Hendrix na guitarra, John Bonham batucando,  a Janis não desistindo de seu Mercedez-Benz. Tem também o Elvis, que vai estar fazendo um pouco de cada coisa e fazendo muito bem. E todos eles juntos vão estar fazendo bullying com o Hitler. Eu, sinceramente, na minha humilde opinião, duvido de que  o Coisa Ruim vá mesmo se concentrar em torturar alguém, ele vai mais é querer ouvir as histórias do ACM para ver se aprende alguma coisa, fora que quer manter aquelas personalidade em formol, depois do tanto que lhes serviram.
O Paraíso, por outro lado, parece bom, mas muito vazio, VIP demais, sacam? Só consigo pensar em duas pessoas lá, uma é a Madre Teresa de Calcutá. A outra é o Mahatman Ghandi; e não há a menor chance de bater um papo iluminador com ele, primeiro porque ele deve passar a maior parte do seu tempo entregue à meditação para atingir o samsara, segundo porque ele deve ficar isolado para que os religiosos mais fervorosos não se decepcionem chegando no céu ao ver que um hindú pagão pode transitar por ali numa boa.

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