quarta-feira, abril 25, 2012

Cobrança

Às vezes eu abro o portal do Blogger e fico olhando para a tela de postagem. Um tempão.  Este tempão é imaterial, não quer dizer horas, necessariamente. Tempo mental, sacam?
Eu me cobro, de verdade, esse tricotar com as teclinhas. E não quero só ficar vindo aqui para falar da minha vida, do que eu penso, e achar formar elegantes de falar mal dos outros. Eu sinto falta de escrever literalmente. Uma das colunas daqui que mais me ressinto de não ter alongado é Metrópole, por exemplo; não só porque eu realmente gosto das coisas que escrevi ali, mas porque havia todo um processo, Começa com um comichão, de verdade, e faz tempo que ele não me vem.
Eu tenho uma teoria de que na verdade esse lance de teclas não seja bem o meu. Em A flor do meu segredo, a personagem de Marisa Paredes fala sobre escritores e digitadores, diferenciando estes através do meio que criam. Alguns precisam de lápis e papel, outros sentam diante de seus teclados. Eu falei que tinha uma teoria, né? Bom, não é minha, apenas sigo. E me pergunto mais, porque não sei bem em qual categoria eu me encontro, já que muita coisa eu escrevo com a mão no bolso. Então talvez nessa divisão de autores, seja necessário abrir uma nova pra mim, que, justamente definida pela atividade manual na função, pode ser chamada de desocupados. Ainda assim, eu me cobro, lembram? E aí vejo esta tirinha abaixo do Lafa:
Poxa, eu já escolhi ser artista por profissão. Por que diabos anões eu não posso arranjar um hobby que me dê dinheiro? Vamos fazer o seguinte, quem tá sempre aqui, vai fazendo as contas de quanto já leu e me informa. Eu vou fazer gerar um boletinho e mando. Mas sem medo, gente! Eu não sou ganaciosa, não vou cobrar uma fortuna, sobretudo porque quero que continuem lendo. Afinal, não seria esperto da minha parte fazer a fonte secar logo de cara.

2 comentários:

xistosa - (josé torres) disse...

Mas quem rouba um pão é que é um ladrão e vai pra "sombra".
Quem rouba milhões, a muitos e durante muito tempo, continua a sorrir a a apanhar sol.
Vou esperar para saber o preço...

Cumprimentos e um bom fim de semana.

Carlos Reis disse...

Ouvi uma canção de uma banda nova outro dia e lembrei de um trecho da letra logo após ler esta postagem sua. Há forte influência daquele poema "The Lady of Shalott" de Alfred Tennyson em quem escreveu:

"A penny for my thoughts,
no I'll sell them for a dollar
They're worth so much more after I'm a goner
And maybe then you'll hear the words I been singin'
Funny when you're dead how people start listenin'

If I die young bury me in satin
Lay me down on a bed of roses
Sink me in the river at dawn
Send me away with the words of a
love song". (The Band Parry)

Não creio que seja possível alguém pagar o preço que se ajuste ao verdadeiro valor dos seus pensamentos. Você terá de dá-los de graça, mas quem sabe não possa cobrar imposto pelo uso do canal...