segunda-feira, maio 28, 2012

Correspondência II

Muitos sabem, minha relação com o meu pai é uma das coisas que mais me fascina na minha própria existência; um ato reflexivo de maravilhamento, uma benção, chamem como quiserem. Se eu fosse de algum povo primitivo, construiria para ele um totem, um altar, qualquer coisa assim; mas não sou – se para a sorte ou azar fica a dúvida –  então faço pra ele uma coluna no meu blogzinho. Quem testemunhou minha relação cotidiana com o meu pai colheu boas risadas. Então a distância que se impôs é, na verdade, uma variável importante para que nossa correspondência virtual tenha sido enriquecida. Se fosse antigamente, todo este corpus produzido seria compilado em um livro com capa romântica para que as gerações futuras pudessem rir e se emocionar. Mas vocês já sabem... vem tudo parar aqui. Um dos últimos emails dele me fez rir alto no meio da rua quando recebi a notificação pelo celular. Primeiro vamos ao contexto: ano passado eu fiz um pedido de alguns beleléis em um site chinês especializado em bugingangas, daquelas que a gente jura que precisa; o preço e o frete gratuito são argumentos convincentes para fazer-nos crer de verdade que são indispensáveis. Uma delas era uma colher simpática cujo grande barato era a possibilidade de ser apoiada no copo ou na xícara. Este mês elas chegaram. Eu sei, demorou. O frete é grátis, lembram?
Então eu recebo:


1- foi entregue via aquele canal de contrabando que você estabeleceu com a
China duas "colherinhas" ou "colherezinhas" ou seja alguma coisa parecida
com um objeto bastante usado no café dos povos civilizados. Aliás quem
começou tudo isso foi o "Thomas Becket", aquele favorito do Rei mas...deixa
prá lá.  Bom, vieram duas amostras de algo parecido com colher, mas vieram
defeituosas, torcidas, entortadas no cabo e deu um trabalho enorme para
desentortá-las... tive que levar para uma oficina etc...etc. mas ficaram
boas. Enfim que faço com elas?????

2 comentários:

Jose Torres disse...

É a vantagem das chinesices...
É tudo muitíssimo barato, mas não prestam para nada.
Nisso não enganam ninguém...

Então os poemas do "chato-pai"???
Cumprimentos deste lado do mundo-cão.

Anônimo disse...

Essas colheres sao vendidas a cinco reais no hortifruti!!