quarta-feira, novembro 10, 2010

Tributo

No domingo, vi na TV uma entrevista inédita gravada com o grande Airton Senna, pouco tempo antes de falecer. Calma, continuo sem TV, só ando frequentando lugares equipados com o aparelho. No registro, ele falava sobre seus planos de depois de correr muito, ter tempo para curtir e ficar com a familia. Doeu. Enfim, achei mesmo que a grande emissora do Brasil transmitiu aquilo para acabar com o domingo do povo. Eu lembro de quando ele se foi. Uma amiga me ligou minutos depois do seu acidente, quando eu nunca vi ela falando qualquer coisa sobre F1. E o curioso sobre sua morte foi isso, ele tinha muitos fãs, e poucos entendiam algo sobre corridas. À época, eu estudava em um colégio católico, responsável pelos meus anos no ateísmo. E lembro de ouvir uma das freiras, com suas agulhas frenéticas funcionando para alimentar o bazar de caridade - com ironia, por favor - que elas sempre faziam, dizendo " eu não tenho pena, não, desses caras de corridas ou de boxe. Se morreu, morreu, tava ali para isso". Meus colegas se chocaram, bem como eu, mas, ao contrário deles, eu não me segurei:
- Oi? Você se diz cristã? Foi isso que Jesus te ensinou? O cara que morreu fez muito mais pelo país do que você com suas orações e seu ponto-cruz torto!
É, eu entendi que até mesmo eu tinha, no mínimo algum respeito pelo cara. Confesso que me emocionei no seu sepultamento, coisa que não esperava de mim. Em breve será lançado o filme sobre sua vida, numa produção estrangeira. Acho bom, fica uma obra longe de ufanismos e - cruzemos os dedos - sem depoimentos de Xuxa. Tava demorando, faltava mesmo um tributo ao nosso grande piloto. Penso que aquele fatídico dia marcou uma dupla perda para o país, primeiro porque perdemos uma das maiores figuras que já tivemos. Segundo porque ganhamos, em troca, a Adriane Galisteu.

Um comentário:

daniel disse...

O nome correto do Finado é Ayrton.

:)