sexta-feira, dezembro 17, 2010

Mitos paternos

Ontem quase que entro numa saia justa. Num almoço, o anfitrião, ao saber que entendo de vinhos -- o que na prática significa tomar os vinhos do meu pai -- pediu para que eu escolhesse qual tomaríamos, com um único pedido: que fosse branco. Acorde dramático nesse momento. Acontece que Chato-pai nunca serve vinho branco, o motivo é simples: ele não acredita neles. Aí vocês pensam "lá vai essa metida a engraçadinha inventar sobre aquele pai dela de novo, coitado". Só que por mais que não tenham se convencido, o fato não muda: eu nada invento sobre meu pai. Pelo menos não aqui, só onde pode adiantar alguma coisa, tipo na delegacia. Mas onde estava? Vinhos, sim! Então lá fui eu, encarar a carta de vinho. Até tentei parecer entendida quando perguntei qual tipo de uva ele preferiria; e fiz isso suficientemente bem para que ele não percebesse que eu tava desesperada por qualquer pista. Que ele não deu. Num golpe de sorte escolhi um que agradou. Ufa. E achei realmente bom. E pensei em comprar uma garrafa daquela para o meu pai. É, porque ele não acredita mesmo em vinho branco, é sério.
Nas próprias palavras dele, "vinho branco não existe". Igual a Papai Noel, sentem? Mas eu gostei do vinho, então devesse mesmo apresentá-lo a ele. Mas se eu quero tanto isso, é mais fácil aproveitar a estação e convencer que o bom velhinho existe para, desta forma, o vinho branco ter alguma chance.
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Um comentário:

Márcio Silva disse...

Eu acredito nos vinho brancos, bem mais que nos tintos. E já que o mote é fazer os enólogos arrancarem a roupa de baixo pela cabeça, eu prefiro os vinhos brancos mais vagabundos e frutados disponíveis.

Beijão e boas festas, linda!