terça-feira, fevereiro 08, 2011

Nostalgia do que passou

Estou indo para o quinto ano sem um aparelho de TV na minha casa. Eu lembro quando ela esmudeceu, achei que nunca mais fosse conseguir dormir de novo. E foi aí que descobri um universo de outras coisas, como rever meu material de alemão, passar mais tempo com meus livros, passear mais e, pasmem, ver mais filmes, só que no cinema, em grande estilo, tela e sonorização. É, teve aquele celular, o Thundera II, que o Chato-pai me deu, através do qual eu posso ver alguns canais abertos. Admito que quando ele chegou, eu até dei umas espiadinhas na programação, mais para ter certeza de que não estava perdendo nada. Suspeitas confirmadas.
Só que a vida, essa danadinha mesmo, apronta algumas. Por uma outra ironia da vida, o futuro sr. Kath possui alguns traços de personalidade diametralmente opostos ao meu. Enquanto eu sou esta pessoa anacrônica que compra livros em sebos, faz seu próprio iogurte, e cujo último aparelho de TV não era do tipo valvulado por um triz; ele é um wired, fascinado por gadgets que não passa frente à uma MacStore sem sofrer pelo seu campo magnético, e ainda tem três aparelhos de televisão em casa, um de última geração, outro de penúltima, e mais um de última porque tava em promoção. Então, ainda que eu quisesse, não dá para ficar lá muito indiferente a telas grandes de HD com todos os canais de filme da TV por assinatura. Se meh fraco por cinema fosse lá tão fraco, ainda assim não ia resistir a um sofá confortável onde eu possa esticar os pés.
Dado curioso, aliás, ocorreu logo que nos conhecemos, em que ele me chamou para ver Poderoso Chefão em 42' com som surround. Nem ele tinha a noção do tiro certo de que aquilo era no meu peito. Se eu já não estivesse apaixonada ali, ia ficar realmente balançada nas pernas. Mas foi uma chuva no molhado.
Bom, mas então, eu estou aqui, vez ou outra, flertando com o mundo maravilhoso dos canais por assinatura. Já não me recordava mais de como era bom ser surpreendido por algum bom filme enquanto zapeava, ver aquelas entrevistas com o Letterman de que tanto gosto, rir com uma série engraçada e atual -- rio demais com The Big Bang Theory, me lembra alguns amigos --, ou até mesmo ver um filme que não me interessou, que eu ache que tenha tudo para dar errado, mas, porque alguém me recomendou ou por alguma curiosidade mórbida, eu aceito conferir.
Mesmo depois de quase cinco anos de separação, quem diria que eu poderia não ser completamente imune a ela? Mas não se enganem, não. Não estou namorando aparelhos nas lojas nem cogitando consertar o dinossauro que me ninou tantas vezes até dormir. Que ele descanse em paz.
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Um comentário:

xistosa - (josé torres) disse...

Com que então o "Chato-pai"...
Pois é. O aparelho de TV que me acompanha, sempre ligado, só pesa 53 quilitos. Tem quase tantos anos como eu... não, não serão assim tantos.
A TV é a cores e eu sou a preto e branco.
Ofereceram-me uma que se levanta com dois dedos e tem o dobro do tamanho ou quase... não exageremos, uma é de 51 cm, 100 Hz e com uma imagem diabolicamente bela que nos prende e a outra é da última geração (leds).
(Aqui, também, a última geração - quem acabou o curso - é a que não tem trabalho).
A velhinha está "prás curvas" e tem um comando "facilíssimo". A "nova", necessita de um curso superior para trabalhar com o comando.
Pelo meio há pelo menos mais três um pouco mais pequenas.
Para dois, penso que chegam.

Então felicidades e
INTÉ!!!