Casa, substantivo feminino nada comum, lugar nem sempre engraçado, sem teto nem nada. É onde a gente vive, se faz presente, espalha a bagunça, anda de calcinha, se afunda num pote de sorvete e diz que a vida não presta, lugar onde a gente guarda tudo, desde as jóias da família até canhoto de cartão de crédito; ambiente onde a gente escolhe colocar as coisas melhores que a gente pode e mais infames e divertidas que o mundo tem; onde mora a família, aquelas pessoas a quem amamos que queremos todos os dias enforcar, como um dia útil entre feriados; onde a gente recebe os amigos e foge dos inimigos. 101, número ímpar, porque os árabes acreditam que os pares dão azar, parece código binário. Se somar tudo dá 2, que deve querer dizer alguma coisa na Numerologia. E amanhã, quando o dia for outro e as minhas paredes ainda as mesmas, a definição já vai ser diferente.
A criadora do macete do pirulito e da teoria de que o Gandalf é o Bono Vox da Terra Média, arrogantezinha com fixação na própria obra, reacionária modernosa, a perdedora de brincos, a descobridora da regra da quantidade ridícula e da regra da insônia, a compositora do sucesso "Canela", a contadora de histórias, a filha do Chato-pai, a desvendadora das embalagens, a criadora de palavras, colega do Thundera, a militante contra TV, esmolas e as sacolas plásticas; a crítica de filmes e de tudo mais, futura capa da Playboy, a primeira escritora de blog que será agraciada no futuro com um Nobel de Literatura. Um pouco de tudo, mas nem tanto.
0 no buraco da fechadura.:
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